quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Viagem

A viagem é longa, o cheiro de barro é forte, mas daqui a lua parece mais profunda, as estrelas mais proximas e nítidas, o raiar do sol mais intenso e brilhante, como nunca havia visto. Nesse lugar o silêncio e a calma são constantes, tomam conta do meu ser. A felicidade, ela é simples e humilde, não requer sofisticações.
Os sabores são puros, tão naturais! A beleza é sutil, não existe nenhum padrão. A sensação de liberdade toma conta do ar que respiro, faz-me sentir como um pássaro, que livre sente-se ao bater as asas e levantar voou.
Aqui o cantar do sabiá é mais doce, o verde que forma um belo e deslumbrante cenário abriga lindas borboletas que dançam no ar.
Tudo funciona em perfeita sintonia, você encherga o equilibrio e o admira. Nada como a Viagem!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Dor

A dor é algo que não sei dizer se arde, ou se congela,se mata, ou se fortalece, se aflige ou se adormece. A dor é uma sensação a qual nos dá ansiedade, e nos angustia. Nos tira a esperança, nos deixa descrente de tudo, e de todos.

Nos causa medo, e insegurança, nos faz sentirmos pequenos, tão pequenos, inúteis, tão inúteis. Nos dá impressão de perda, de ‘game over’. Nos faz pensar em milhares de coisas em frações de segundos, como se jogar no choro, ou até mesmo nos trilhos do trem. Nos dá vontade de sumir, e de voltar ao tempo em que a dor era ausente em nossas vidas. Porém ela sempre existiu, apenas ela ‘apareceu’, ela sempre existe, a vida tem dois caminhos, e dependendo o caminho que você segue, se depara com ela te trazendo todos fatores e características citadas.

E o fato da dor, queimar nossa carne, nossos espírito, nos deixa sem fome ao ponto de não sentir falta de nada. Deixa-nos com o sentimento de abandono, desconforto sentimental. O raciocínio se torna pouco, e inútil, nada que pensamos faz diferença, tudo é ‘nada’, e esse nada é o pior de todos, porque na verdade é algo negativo, é algo menos que nada, menos que zero.

A vontade de quem está ferido, é de gritar, mas que ninguém ouça, é de abraçar em silêncio, e somente nessa ligação passar tudo o que sente, como um bluetooth, sem utilizar palavras. A vontade é de deixar as lágrimas caírem e não parar, é se cortar, e não sangrar, para não deixar vestígios à ninguém.

O respirar dói, o falar arranha, o ouvir machuca, o chorar afoga.

Tempo

Eu ligaria o rádio, se alguém escutasse comigo. Eu ligaria até mesmo a TV se você parasse, ao menos parasse para ler o jornal, mas você está ocupado com algo que não parece nós importar, você se tranca ao quarto, e quando pela manhã abre a porta, esquece os pães na mesa e vai direto a porta, a tranca e liga o carro, em casa você deixa sua felicidade, mas você não à valoriza.
 Quando você chega ela está lavando a camisa que você sujou, e o seu quarto já está limpo, a mesa está posta esperando você chegar, mas você se deita à cama, e lá espera o seu jantar.
 Você acha que tem o tempo do mundo, mas ao acordar, não ouve o bom dia que não parecia ao menos notar, você não sente o abraço que não valorizava, e nem ouve a voz que ignorava. Beijo? A quanto tempo você não parava para dá-lo ?
 Em seu peito um buraco toma conta, e não entende como pode sentir falta do que tanto ignorava. As vezes parecia desnecessárias aquelas palavras que tanto ouvia, mas hoje ela lhe faz falta.
 A raiva que a presença causava, foi subitamente trocada pela dor da ausência.
Talvez se tivéssemos ido a praia aquele fim de semana prolongado, ou se tivéssemos nos abraçado àquela manhã chuvosa... Talvez se você tivesse gritado o quanto me amava, ou até mesmo sussurrado, se você tivesse cantado nossa música, ou me dado apenas um minuto do meu tempo.
 Eu queria poder ter te levado para ver a lua e as estrelas, e depois deitarmos sobre a areia, adormecer e acordar com o sol em nossos rostos, correr para o mar.
 Mas o seu tempo, ele não deixou.