terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Tempo

Eu ligaria o rádio, se alguém escutasse comigo. Eu ligaria até mesmo a TV se você parasse, ao menos parasse para ler o jornal, mas você está ocupado com algo que não parece nós importar, você se tranca ao quarto, e quando pela manhã abre a porta, esquece os pães na mesa e vai direto a porta, a tranca e liga o carro, em casa você deixa sua felicidade, mas você não à valoriza.
 Quando você chega ela está lavando a camisa que você sujou, e o seu quarto já está limpo, a mesa está posta esperando você chegar, mas você se deita à cama, e lá espera o seu jantar.
 Você acha que tem o tempo do mundo, mas ao acordar, não ouve o bom dia que não parecia ao menos notar, você não sente o abraço que não valorizava, e nem ouve a voz que ignorava. Beijo? A quanto tempo você não parava para dá-lo ?
 Em seu peito um buraco toma conta, e não entende como pode sentir falta do que tanto ignorava. As vezes parecia desnecessárias aquelas palavras que tanto ouvia, mas hoje ela lhe faz falta.
 A raiva que a presença causava, foi subitamente trocada pela dor da ausência.
Talvez se tivéssemos ido a praia aquele fim de semana prolongado, ou se tivéssemos nos abraçado àquela manhã chuvosa... Talvez se você tivesse gritado o quanto me amava, ou até mesmo sussurrado, se você tivesse cantado nossa música, ou me dado apenas um minuto do meu tempo.
 Eu queria poder ter te levado para ver a lua e as estrelas, e depois deitarmos sobre a areia, adormecer e acordar com o sol em nossos rostos, correr para o mar.
 Mas o seu tempo, ele não deixou.

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