segunda-feira, 26 de julho de 2010

As letrinhas coloridas

Não parecia mais que uma garota levada a qual após ser banhada e vestida pela mãe para ir à um casamento,mergulhava-se novamente em sua banheira rosa-bebê.
Porém a paixão começou quando aprendeu o Bê-á-bá, e se encantava com ba-la, bo-la e pi-pa, soletrava a cada palavra vista, logo mais aprendia a montar frases “Te amo mamãe” foi uma de suas primeiras, logo acompanhada com “Te amo papai”, junto com seus desenhos presenteava-os em datas comemorativas como aniversários e Dia dos pais / mães.
Gostava de ler João e Maria e a Bela e a Fera, isso quando não obrigava seu irmão sonolento, a ler Bisa Bia, Bisa Bel o qual lhe parecia imenso. Alguns anos se passarão e notou que era capaz de ler livros maiores que estes, e arriscou ler livros de seu irmão mais velho, iniciando o Alquimista de Paulo Coelho, nada muito fácil de se entender com sua idade, mas repetira aos 13 anos. Embora Paulo Coelho não tenha lhe fascinado tão quanto Fernando Pessoa, Oscar Wilde e Bram Stoker, ela guarda sua forma de escrita com um grande apresso.
Ela se encantara pelo mundo das palavras desde o ABC, fugia de suas desilusões e de suas preocupações, se escondia de baixo da cama de Lucy enquanto ela era mordida e sugada.
Viajava junto do Jovem Wether, e sofria com ele a cada página, se identificava muito com a forma que Graciliano Ramos descrevia a Angústia, e encantava-se com Lygia Fagundes Telles.
A garota que se apaixonava por ler, também se apaixonava por escrever, não só Bala, Bola e Pipa, mas também falava de seus sentimentos e de seus sonhos, de suas tristezas profundas e de suas alegrias sutis, sorrisos singelos.
Ela gostava de fechar os olhos para desenhar tudo o que escrevia, e o que não transmitia em papel por fugir-lhes todas as palavras que aprendera.
Era como viajar em um mundo novo, conhecer novos amigos e ter diversas vidas diferentes.
Hoje ela se embriaga em textos, e dança com as rimas de poemas. Em caso de solidão, se afoga em livros, e compõe canções. As páginas são protetoras, e angelicais, absorvem lágrimas e contam histórias consoladoras, os papéis ouvem, calam e consentem. O que mais ela quer?
Vive das folhas, e das palavras.

2 comentários:

  1. Pena que não pode ouvir, mas quem quer que tenha criado a Onomatopeia de palmas eu agradeço ai vai CLAP! CLAP!

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